30 poetas brasileiros que você não pode deixar de ler

Escrito por Mariana Bianchini

Não, os poetas brasileiros abaixo não falam apenas sobre a cultura do Brasil: eles transformam seu cotidiano e sentimentos em palavras e, às vezes, até arriscam umas rimas. Entretanto, estes são alguns dos maiores nomes da poesia de nosso país. Conheça agora mesmo um pouco mais sobre a vida e sobre a obra de 30 poetas brasileiros – mulheres e homens.

Poetas brasileiras mulheres

Dificilmente nos lembramos das mulheres na literatura quando o assunto é poesia, mas elas sempre estiveram presentes. Para além das questões histórias e sociais que colocaram – e ainda colocam – as mulheres à sombra dos homens, as poetas brasileiras se destacam com suas obras e importantes trabalhos. Veja:

1. Adélia Prado

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Poeta, professora, filósofa e contista, Adélia Prado nasceu em 13 de dezembro de 1935 e, em sua obra, abordou o cotidiano, a mulher, a fé cristã e sentimentos variados. Antes de se tornar escritora em tempo integral, trabalhou como professora por 24 anos. Algumas de suas principais obras na poesia são “Bagagem”, “A Faca no Peito”, “Oráculos de Maio” e “A Duração do Dia”.

Minha mãe achava estudo

a coisa mais fina do mundo.

Não é.

A coisa mais fina do mundo

é o sentimento.

2. Ana Cristina César

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Nascida em 2 junho de 1953 em Niterói, no Rio de Janeiro, Ana Cristina César se destacou na década de 70 com uma obra intimista e coloquial. Na poesia, lançou as seguintes obras: Cenas de Abril (1979), Correspondência Completa (1979), Luvas de Pelica (1980), A Teus Pés (1982) e Inéditos e Dispersos (1985). Ainda, era filha de um sociólogo e jornalista e tinha dois irmãos.

Apaixonada,

saquei minha arma,

minha alma,

minha calma,

só você não sacou nada.

3. Hilda Hilst

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Hilda Hilst se formou em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), mas escolheu ser escritora depois de passar uma temporada na Europa. Sua obra de estreia foi um livro de poesia publicado quando ela tinha 20 anos, chamado Presságio. Hilst nasceu em 1930 e morreu em 2004.

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.

Antes, o cotidiano era um pensar alturas

Buscando Aquele Outro decantado

Surdo à minha humana ladradura.

4. Cecília Meireles

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Cecília Meireles foi uma jornalista, pintora, poeta e professora brasileira nascida em 1901. Ela é considerada um dos maiores nomes da literatura de nosso país e tem como trabalhos mais conhecidos as obras “Ou Isto Ou Aquilo” e “Romanceiro da Inconfidência”. Ela faleceu aos 63 anos, no Rio de Janeiro.

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

5. Cora Coralina

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Cora Coralina é um pseudônimo de Anna Lis dos Guimarães Peixoto Bretas, nascida em 1889. Apesar de escrever desde sua adolescência, ela teve seu primeiro livro – Poemas dos Becos de Goiás de Estórias Mais – publicado apenas em junho de 1965, quando já tinha 75 anos de idade, vinte anos antes de sua morte.

A vida tem duas faces:

positiva e negativa.

O passado foi duro,

mas deixou o seu legado.

Saber viver é a grande sabedoria.

6. Gilka Machado

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Filha de mãe atriz e pai poeta, Gilka Machado nasceu no Rio de Janeiro em 12 de março de 1893 e viveu até 1980. O primeiro livro de poemas da autora, chamado “Cristais Partidos”, foi publicado em 1915 com prefácio de Olavo Bilac. Ainda, ficou conhecida por ter sido uma das primeiras mulheres a escrever poesia erótica no Brasil, além de trazer versos feministas em seus poemas.

Eu sinto que nasci para o pecado,

se é pecado, na Terra, amar o Amor.

Anseios me atravessam, lado a lado,

numa ternura que não posso expor.

7. Conceição Evaristo

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Conceição Evaristo nasceu em Belo Horizonte e vem de uma família muito pobre. Até a juventude, precisou conciliar sues estudos com o trabalho de empregada doméstica. Então, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar letras na UFRJ. Em seu trabalho, aborda o racismo, as diferenças de classe e as discussões de gênero. Sua principal obra na poesia é o livro “Poemas da Recordação e Outros Movimentos”.

A noite não adormece

nos olhos das mulheres.

A lua fêmea, semelhante nossa,

em vigília atenta vigia

a nossa memória.

8. Patrícia Galvão (Pagu)

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Defensora dos direitos das mulheres, Pagu foi a primeira brasileira a se tornar presa política no século 20. Conheceu Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral quando ainda era jovem e, depois da separação do casal, casou-se com Oswald. Seu primeiro romance, o livro “Parque Industrial” foi publicado em 1933 sob o pseudônimo Mara Lobo. Na véspera de sua morte, o poema “Nothing” foi publicado no jornal A Tribuna.

Nada nada nada.

Nada mais do que nada.

Porque vocês querem que exista apenas o nada

pois existe o só nada,

um pára-brisa partido uma perna quebrada.

9. Helena Kolody

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Paranaense, Helena Kolody é filha de imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil. Seu primeiro poema – “A Lágrima”- foi publicado na revista Marinha quando ela tinha apenas 16 anos, em 1928. Treze anos depois, ela lançou seu primeiro livro, intitulado “Paisagem Interior”. Faleceu em Curitiba, capital do Paraná, em 2004.

Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço

aos páramos azuis da luz e da harmonia;

é ambicionar o céu;

é dominar o espaço

num voo poderoso e audaz da fantasia.

10. Clarice Lispector

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É impossível pensar sobre literatura brasileira e não lembrar de Clarice Lispector! Nascida na Ucrânia, foi naturalizada brasileira 1932. “A Hora da Estrela” e “Laços de Família” são duas de suas obras mais reconhecidas. Ainda que a maior paixão de Clarice tenham sido os romances, ela também se dedicou à poesia.

Sou como você me vê.

Posso ser leve como uma brisa

ou forte como uma ventania,

depende de quando e como você me vê passar.

11. Alice Ruiz

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A autora Alice Ruiz possui, ao todo, 21 obras publicadas, incluindo livros, poemas, traduções, histórias infantis e canções. Nascida em Curitiba no ano de 1946, começou a escrever versos aos 16 anos de idade e publicou seu primeiro livro aos 34. “Poesia Pra Tocar no Rádio”, “Rimagens” e “Vice Versos” são apenas algumas de suas obras.

Que o breve seja de um longo pensar.

Que o longo seja de um curto sentir.

Que tudo seja leve,

de tal forma que o tempo nunca leve.

12. Carolina Maria de Jesus

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Carolina Maria de Jesus nasceu em Minas Gerais, mas mudou-se para São Paulo em 1947. Na capital paulista, ela morava na favela Canindé, na zona norte, e trabalhava como catadora de lixo enquanto observava o cotidiano de sua comunidade e transformava-o em literatura. Apesar do pouco estudo, lançou seu primeiro livro – Quarto de Despejo – em 1960 e alcançou 13 idiomas e mais de 40 países.

“Eu sou a flor mais formosa”,

disse a Rosa.

Vaidosa!

“Sou a musa do poeta”.

13. Lara de Lemos

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Em 1945, Lara de Lemos concluía o curso de História e Geografia da PUC-RS, onde se formou também em Pedagogia, seis anos mais tarde. Em 1953, termina o curso de Língua Inglesa e Literatura Contemporânea da Southern Methodist University, em Dallas, nos Estados Unidos. Seus primeiros trabalhos literários foram publicados na Revista do Globo. Os livros Poço das Águas Vivas (1957), Canto Breve (1962), Aura Amara (1969), Palavravara (1986) e Águas da Memória (1990) são parte de sua obra poética.

No rosto, a ruga.

Na fala, o susto.

Na boca, a baba.

No corpo, o luto.

14. Lya Luft

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Escritora, professora e tradutora, Lya Luft nasceu no Rio Grande do Sul e se formou em Psicologia e em Letras Anglo-Germânicas pela PUC-RS. Começou a escrever poemas nos anos 60 e lançou seu primeiro livro, Canções de Limiar, em 1964. Seu segundo livro de poemas foi lançado oito anos depois e levou o nome de Fruta Doce.

Guardei-me para ti como um segredo,

que eu mesma não desvendei:

há notas nesta guitarra que não toquei,

há praias na minha ilha que nem andei.

15. Mel Duarte

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Mel Duarte é uma jovem poeta brasileira nascida em 1989. Ela atua com literatura independente desde 2006 e conhecida por ser também produtora cultural. Até agora, possui dois livros publicados através da editora Ijumaa, “Fragmentos Dispersos” e “Negra Nua Crua”.

Em pé, armado,

[…]

Pra mim é imponência!

Porque cabelo de negro não é só resistente,

é resistência.

Poetas brasileiros homens

Os poetas brasileiros homens são muito lembrados e seus nomes são reconhecidos mundialmente. Abaixo, você confere um pouco mais sobre o trabalho de alguns escritores que marcaram época:

16. Carlos Drummond de Andrade

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“Alguma Poesia”, “A Falta que Ama”, “Novos Poemas”, “Amar se Aprende Amando” e “Poesia Errante” são algumas das obras mais populares de Carlos Drummond de Andrade, que herdou características e premissas modernistas em seus poemas. Nascido em Minas Gerais, é, sem dúvidas, um dos maiores poetas brasileiros.

Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração.

17. Augusto dos Anjos

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Os poemas de Augusto dos Anjos apresentam características expressionistas e, por isso, é considerado por muitos um autor pré-modernista. Ele nasceu em 1884, mas faleceu aos 30 anos, em 1914, depois de ter publicado poemas que se tornaram famosos, como “Saudade”, “Versos Íntimos”, “Psicologia de um Vencido” e “Ao Luar”.

Como um fantasma que se refugia

na solidão da natureza morta,

por trás dos ermos túmulos, um dia,

eu fui refugiar-me à tua porta!

18. Cruz e Sousa

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Em apenas 36 anos de vida, Cruz e Sousa foi precursor do movimento simbolista no Brasil com a publicação das obras “Missal” e “Broquéis”. Ainda, foi um dos poucos escritores de raça negra na literatura brasileira da época.

Junto da morte é que floresce a vida!

Andamos rindo junto a sepultura.

A boca aberta, escancarada, escura

da cova é como flor apodrecida

19. Castro Alves

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Castro Alves, que viveu de 1847 a 1871, foi o último grande poeta da Terceira Geração Romântica no Brasil. Em suas obras, abordava problemas sociais e denunciava a crueldade da escravidão. Ainda, também investiu bastante no amor como tema de seus trabalhos.

Na hora em que a terra dorme

enrolada em frios véus,

eu ouço uma reza enorme

enchendo o abismo dos céus.

20. Álvares de Azevedo

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Parte da Segunda Geração Romântica no Brasil, Álvares de Azevedo foi um poeta e escritor que trazia seu mundo interior para as obras. Ele nasceu em 1831 e faleceu apenas 20 anos depois. O livro “Lira dos Vinte Anos” foi publicado postumamente e conta com importantes poemas do autor.

Se eu morresse amanhã, viria ao menos

fechar meus olhos minha triste irmã;

minha mãe de saudades morreria

se eu morresse amanhã!

21. João Guimarães Rosa

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Além de poeta e escritor, Guimarães Rosa foi também médico e diplomata. Primeiro filho de seis irmãos, ele nasceu em 27 de junho de 1908 e faleceu em 19 de novembro de 1967. “Sagarana” e “Grande Sertão: Veredas” são duas de suas principais obras.

O correr da vida embrulha tudo.

A vida é assim: esquenta e esfria,

aperta e daí afrouxa,

sossega e depois desinquieta.

O que ela quer da gente é coragem.

22. Manuel Bandeira

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O cotidiano era um dos temas mais abordados por Manuel Bandeira em suas obras. Além disso, ele fez parte da primeira geração modernista no Brasil e era adepto do verso livre. Escritor, professor, crítico e historiador, seu nome impacta gerações até hoje.

Vi uma estrela tão alta,

vi uma estrela tão fria!

Vi uma estrela luzindo

na minha vida vazia.

23. Mário Quintana

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Nascido em 30 de julho de 1906 no Rio Grande do Sul, Mario Quinta foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Seu estilo é marcado pela simplicidade, pela profundidade e pela ironia. “A Rua dos Cataventos”, “Sapato Florido”, “Esconderijos do Tempo” e “Água” são alguns de seus trabalhos poéticos.

Não te irrites, por mais que te fizerem.

Estuda, a frio, o coração alheio.

Farás, assim, do mal que eles te querem,

teu mais amável e sutil recreio.

24. Mário de Andrade

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Parte importante da Semana de Arte Moderna de 1922, Mário de Andrade marcou a primeira fase modernista no Brasil. Seu trabalho era marcado pela valorização da cultura brasileira. Além de escritor, foi também ativista e crítico literário.

Este feliz desejo de abraçar-te,

pois que tão longe tu de mim estás,

faz com que te imagine em toda a parte.

Visão, trazendo-me ventura e paz.

25. Paulo Leminski

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A obra poética de Paulo Leminski conta com mais de quinze publicações, entre elas, “Caprichos e Relatos”, “Distraídos Venceremos”e “O Ex-Estranho”. Poeta, escritor, tradutor e professor, Leminski nasceu em Curitiba em 1944 e viveu até 1989.

Escrevo. E pronto.

Escrevo porque preciso,

preciso porque estou tonto.

Ninguém tem nada com isso.

26. Vinicius de Moraes

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Além de importante poeta da segunda fase do modernismo no Brasil, Vinícius foi um compositor de bastante renome – a canção “Garota de Ipanema” é de sua autoria ao lado de Antônio Carlos Jobim e se tornou um hino da nossa música popular. Ainda, foi dramaturgo e diplomata.

De repente, do riso fez-se o pranto.

Silencioso e branco como a bruma.

E das bocas unidas fez-se a espuma.

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

27. Manoel de Barros

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Cronologicamente, este poeta pertence à famosa Geração de 45, terceira fase modernista. Entretanto, sua obra pode ser caracterizada como pós-modernista. Manoel de Barros recebeu o “Prêmio Jabuti” duas vezes, pelas obras “O Guardador de Águas” e “O Fazedor de Amanhecer”.

A mãe reparou que o menino

gostava mais do vazio do que do cheio.

Falava que os vazios são maiores

e até infinitos.

28. João Cabral de Melo Neto

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“Morte e Vida Severina” foi o poema dramático que consagrou João Cabral de Melo Neto como um dos principais autores brasileiros. O escritor, que viveu 79 anos, também foi membro da Academia Pernambucana e da Academia Brasileira de Letras.

Somos muitos Severinos

iguais em tudo e na sina:

a de abrandar estas pedras

suando-se muito em cima.

29. Ariano Suassuna

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Escritor, poeta, romancista, dramaturgo, professor e advogado, Ariano Suassuna é o autor da obra-prima “O Auto da Compadecida”, adaptada para a televisão e para o cinema. Na poesia, seus trabalhos são: “O Pasto Incendiado”, “Ode”, “Sonetos com Mote Alheio”, “Sonetos de Albano Cervonegro”, “Poemas (Antologia)”e “Os Homens de Barro”.

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo

nas pedras do meu Pasto incendiado:

fustiguem-lhe seu Dorso alardeado,

com a Espora de ouro, até matá-lo.

30. Machado de Assis

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Machado de Assis é o maior nome da literatura brasileira. Nasceu em 21 de junho de 1839 e viveu até seus 69 anos. Em 1864, publicou seu primeiro livro de poesias, “Crisálidas”. Se dedicou bastante aos romances e aos contos, mas ainda publicou mais quatro livros de poesias: “Falenas”, “Americanas”, “Ocidentais” e “Poesias Completas”.

Amanhã, quando a lâmpada da vida

na minha fronte se apagar, tremendo, ao sopro do tufão,

oh! derrama uma lágrima sincera

sobre o meu peito macilento e triste,

e reza uma oração!

É claro que há vários outros e outras poetas no cenário brasileiros que merecem prestígio. E se você gosta mesmo desse gênero literário, não deixe de conferir uma lista com 20 livros de poesia e divirta-se buscando seu eu lírico interior!