20 marchinhas de Carnaval para animar o feriado mais brasileiro do ano

Escrito por Mariana Bianchini

Existe feriado mais brasileiro que o Carnaval? A única resposta para essa pergunta é: NÃO. Esperamos por fevereiro – ou comecinho de março – o ano todo: as fantasias tomam nossos corpos, as decorações tomam as ruas e as músicas típicas tomam nossos ouvidos. É festa e alegria para todo lado! Para já ir se preparando e começar a comemorar, confira uma seleção de marchinhas de Carnaval bastante conhecidas e que são capazes de animar todos os bloquinhos e todos os foliões espalhados pelo país.

1. Cabeleira do Zezé – João Roberto Kelly e Roberto Faissal

Segundo João Roberto Kelly, o Zezé que inspirou uma das marchinhas de Carnaval mais tocadas da história era um garçom que fazia muito sucesso com a mulherada e que não era gay – como muita gente pensa pelo uso da palavra “transviado” na letra. O adjetivo foi escolhido fazendo referência à rebeldia do protagonista do filme “Juventude Transviada”.

Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é? Será que ele é?
Será que ele é bossa nova?
Será que ele é Maomé?
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é

2. Me Dá Um Dinheiro Aí – Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira

Composta em 1959 pelos irmãos Ferreira, “Me Dá Um Dinheiro Aí” foi gravada por Moacyr Franco no mesmo ano e vendeu, quase imediatamente, 100 mil cópias. Em 1960, foi a música mais tocada do Carnaval – e segue popular até hoje. Muitos outros cantores já regravaram a canção ao longo dos anos: Altamiro Carrilho, Elizabeth Cardoso, Beth Carvalho, Naldo Benny, Marlene e Martinho da Vila são alguns nomes.

Ei, você aí
Me dá um dinheiro aí
Me dá um dinheiro aí
Não vai dar?
Não vai dar não?
Você vai ver a grande confusão
Que eu vou fazer bebendo até cair

3. Ô Abre Alas – Chiquinha Gonzaga

A renomada musicista brasileira Chiquinha Gonzaga compôs essa canção em 1899. Essa é considerada primeira marchinha de Carnaval da história, e também uma das melhores. O fato de ser ouvida até hoje nos bloquinhos é prova disso.

Ó abre alas
Que eu quero passar
Eu sou da Lira
Não posso negar

4. Mamãe, Eu Quero – Vicente Paiva e Jararaca

A gravação original dessa música foi feita em 1937, pela gravadora Odeon, na voz de Jararaca, um dos compositores. Entretanto, ela ficou mais conhecida na voz da eterna Carmen Miranda, que também lançou uma versão em inglês sob o título de “I Want My Mama”. Foi eleita pela revista Veja, em 2011, como a segunda melhor marchinha de Carnaval de todos os tempos.

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar!
Dá a chupeta, dá a chupeta, ai, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebê não chorar!

5. Cidade Maravilhosa – André Filho

“Cidade Maravilhosa” foi escrita por André Filho e arranjada por Silva Sobreira para o Carnaval de 1935. A música fez tanto sucesso que, três décadas depois, foi oficializada como hino da cidade do Rio De Janeiro.

Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil
Berço do samba e das lindas canções
Que vivem n’alma da gente
És o altar dos nossos corações, que cantam alegremente

6. Alá-lá-ô – Antonio Nássara e Haroldo Lobo

Alá-lá-ô é uma marchinha composta por Antônio Nássara em parceria com Haroldo Lobo em 1941. De acordo com historiadores, Haroldo Lobo foi quem deu início a composição e, depois, pediu a ajuda de Nássara para completar a obra. Assim, surgiu “Alá-lá-ô, ô-ô-ô ô-ô-ô, mas que calor, ô-ô-ô ô-ô-ô”, o refrão que nunca mais saiu da boca dos brasileiros.

Alá-lá-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

7. Marcha da Cueca – Livardo Alves, Carlos Mendes e Sardinha

A história que gira em torno da famosa “Marcha da Cueca” é a de que ela foi escrita por Livardo Alves e levada para o Rio de Janeiro por Carlos Mendes e Sardinha, sem autorização do autor. Depois de recorrer à justiça, Livardo decidiu aceitar os dois como parceiros de composição e, por isso, a canção é creditada aos três nomes.

Eu mato, eu mato
Quem roubou minha cueca
Pra fazer pano de prato
Minha cueca tava lavada
Foi um presente que eu ganhei da namorada

8. Bandeira Branca – Max Nunes e Laércio Alves

“Bandeira Branca” foi composta por Max Nunes e Laércio Alves por encomenda da cantora Dalva de Oliveira nos anos 70. A inspiração da marchinha veio de uma tradição das escolas de samba e do Carnaval: originalmente, a bandeira branca era usada para trabalhar a marcação do samba com os passistas ou, também, para evitar brigas durante a folia.

Bandeira branca, amor
Não posso mais
Pela saudade
Que me invade
Eu peço paz

9. Ta-Hi (Pra Você Gostar De Mim) – Joubert de Carvalho

Essa é uma música de peso! “Ta-hí”, que também é conhecida como “Pra Você Gostar de Mim”, foi escrita por Joubert de Carvalho e gravada por Carmen Miranda com arranjo de Pixinguinha e acompanhamento da Oschestra Victor. O disco com a canção vendeu cerca de 35 mil cópias e lançou Carmen à fama.

Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim.
Ai meu bem, não faz assim comigo não!
Você tem, você tem que me dar seu coração!
Meu amor, não posso esquecer,
Se dá alegria faz também sofrer.
A minha vida foi sempre assim:
Só chorando as mágoas que não têm fim.

10. Saca-Rolha – Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado

Em 1954, a marcha “Saca-Rolha” foi o sucesso do Carnaval. Composta pelo casal Zé da Zilda e Zilda do Zé em parceria com Valdir Machado naquele ano, foi gravada rapidamente na gravadora Odeon e tem Zé como intérprete.

As águas vão rolar
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
Eu passo mão na saca, saca, saca-rolha
E bebo até me afogar
Deixa as águas rolar

11. A Pipa do Vovô – Manoel Ferreira e Ruth Amaral

Composta pelo casal Manoel Ferreira e Ruth Amaral, “A Pipa do Vovô” ficou famosa na voz de Silvio Santos. Ruth deu uma entrevista em 1987 contando sobre a inspiração da letra que veio ao ver uma matéria sobre campeonato de pipas na televisão. Ela, mesmo com vergonha, mostrou a ideia para o marido. “Eu sabia que era no duplo sentido mesmo. Mas ele achou ótima, fizemos letra e música e mandamos a fita para o Silvio.”, disse.

A pipa do vovô não sobe mais
A pipa do vovô não sobe mais
Apesar de fazer muita força
O vovô foi passado pra trás!

12. Chiquita Bacana – Alberto Ribeiro e Braguinha

A letra de “Chiquita Bacana” foi inspirada na imprensa da década de 40, que explorava as fraquezas do movimento existencialista na época. Foi imortalizada na voz de Emilinha Borba, mas teve muitas regravações em diversos países devido ao seu sucesso internacional.

Chiquita Bacana lá da Martinica
Se veste com uma casca de banana nanica
Não usa vestido, não usa calção
Inverno pra ela é pleno verão
Existencialista (com toda razão!)
Só faz o que manda o seu coração

13. Maria Sapatão – João Roberto Kelly

João Roberto Kelly, o mesmo compositor de “Cabeleira do Zezé” também escreveu “Maria Sapatão”. Sobre as polêmicas envolvendo essa marchinha, Kelly diz que a ideia era fazer uma brincadeira e homenagear as mulheres lésbicas. É válido também compreender que a letra reflete a mentalidade e os costumes da época em que foi escrita.

Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão
De dia é Maria, de noite é João
O sapatão está na moda
O mundo aplaudiu
É um barato, é um sucesso
Dentro e fora do Brasil

14. Aurora – Mario Lago e Roberto Roberti

Dá pra acreditar que “Aurora” foi escrita em uma quarta-feira de cinzas? Pois é, em 1940, Roberto Roberti procurou seu amigo Mário Lago e pediu ajuda para completar a letra da que se tornaria uma das canções mais populares do Carnaval Brasileiro. No ano seguinte, entrou para a história na voz da dupla Joel e Gaúcho, e ainda foi levada para os Estados Unidos com a ajuda de Carmen Miranda.

Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora
Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado para os dias de calor

15. O Teu Cabelo Não Nega – João Valença, Raul Valença e Lamartine Babo

Os irmãos João e Raul Valença enviaram essa composição para uma gravadora no Rio de Janeiro que, por sua vez, pediu ao compositor Lamartine Babo para ajustar sua letra ao gosto do carioca. Por ter sido lançada com créditos dados apenas a Babo, os irmãos Valença entraram com uma ação judicial e saíram vitoriosos. Além dessa polêmica, “O Teu Cabelo Não Nega” é vista, atualmente, como problemática por conta de alguns de seus versos, considerados racistas.

O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, eu quero o teu amor
Tens um sabor bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata, mulatinha, meu amor
Fui nomeado teu tenente interventor

16. Mulata Iê-Iê-Iê – João Roberto Kelly

Outra de João Roberto Kelly, que também enfrentou algumas contradições recentes, é Mulata Iê Iê Iê. O problema, aqui, está na etimologia da palavra mulata, que vem de mula. Essa canção foi uma homenagem a Vera Lúcia Couto, eleita Miss Guanabara em 1964, e ela diz que esse tributo “só traz alegrias” e que se sentiu elogiada.

Mulata bossa nova
Caiu no Hully Gully
E só dá ela iê iê iê iê iê iê iê iê
Na passarela
A boneca está cheia de fiufiu
Esnobando as loiras
E as morenas do Brasil

17. Índio Quer Apito – Haroldo Lobo de e Milton de Oliveira

Há décadas, uma história bastante engraçada se espalhou quanto à inspiração dessa marchinha: as fofocas em 1961 diziam que a esposa do então presidente Juscelino Kubitschek, Sarah, foi visitar uma comunidade indígena e, ao tentar colocar um colar no pescoço do chefe da comunidade, soltou um pum. O índio, então, teria dito a famosa frase “índio quer apito”.

Ê, ê, ê, ê, ê, índio quer apito
Se não der, pau vai comer
Lá no bananal, mulher de branco
Levou pra índio colar esquisito
Índio viu presente mais bonito
Eu não quer colar! Índio quer apito!

18. Marcha Do Remador (Se A Canoa Não Virar) – Antônio Almeida e Oldemar Magalhães

Conhecida também pelo título de “Se A Canoa Não Virar”, a famosa “Marcha do Remador” foi escrita em 1964 pelos artistas Antônio Almeida e Oldemar Magalhães, às vésperas do golpe militar. No Carnaval daquele mesmo ano, a canção fez muito sucesso ao ser gravada na voz de Emilinha Borba.

Se a canoa não virar,
Olê olê olê olá
Eu chego lá
Rema, rema, rema, remador
Quero ver depressa o meu amor
Se eu chegar depois do sol raiar
Ela bota outro em meu lugar

19. Jardineira – Benedito Lacerda e Humberto Porto

Imortalizada pela voz de Orlando Silva, “Jardineira” é uma marchinha de Carnaval creditada a Humberto Porto e Benedito Lacerda. Escrita em 1938, só foi lançada no ano seguinte. Entretanto, já na época, apareceram várias reportagens na imprensa contestando a autoria da canção.

Oh, jardineira, por que estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

20. Bota a Camisinha – João Roberto Kelly

Essa lista começa e termina com uma composição de João Roberto Kelly. Em 1988, com a ajuda de Chacrinha, essa marchinha ganhou popularidade. Até hoje, “Bota a Camisinha” é usada não só para a folia, mas também para campanhas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Bota camisinha
Bota, meu amor
Que hoje tá chovendo
Não vai fazer calor
Bota a camisinha no pescoço, bota geral
Não quero ver ninguém sem camisinha
Pra não se machucar no Carnaval

Outra comemoração bem importante no Brasil é a festa de São João. Para deixar essa época do ano muito animada também, confira uma lista com músicas de festa junina perfeitas para seu arraiá.